Enquanto a colheita da soja avança pelo Rio Grande do Sul, no Centro Regional de Treinamento John Deere FAHOR, em Horizontina, cada etapa do processo vai além da produção agrícola. Na área experimental da instituição, a lavoura se transforma em um ambiente de formação técnica, onde dados, máquinas e decisões constroem conhecimento aplicado ao campo.
Na Safra 2025/2026, foram cultivados 1,5 hectares da variedade TMG 7063, com tecnologia INTACTA RR2 PRO, plantados em 28 de novembro de 2025 e colhidos em 23 de março de 2026. O objetivo é claro: desenvolver instrutores, capacitar técnicos de concessionárias e operadores, além de promover treinamentos voltados à otimização de máquinas e ao uso eficiente das tecnologias agrícolas.
Do plantio à colheita: integração de tecnologia e dados
Todo o ciclo da cultura contou com o uso de tecnologias embarcadas e agricultura de precisão. O plantio foi realizado com a plantadeira PL1200, enquanto a colheita utilizou a colheitadeira S440, ambas equipadas com piloto automático e controle de seções.
Durante as operações, os dados foram registrados no John Deere Operations Center, permitindo a geração de mapas de plantio e colheita. A integração dessas informações possibilita análises comparativas e a identificação de oportunidades de melhoria para as próximas safras.
A lavoura foi conduzida com espaçamento de 45 centímetros e população de aproximadamente 260 mil plantas por hectare, seguindo recomendações técnicas para a cultura.
Colheita como ferramenta de aprendizado
Mais do que colher, a etapa final da cultura foi utilizada como um laboratório prático de otimização de máquinas. Durante a operação, instrutores e estagiários realizaram análises detalhadas de perdas, considerando fatores naturais, da colheitadeira e da plataforma.
Na avaliação inicial, as perdas chegaram a 30 quilos por hectare. A partir disso, foram realizados ajustes técnicos na máquina, como regulagem de côncavo, peneiras e velocidade do ventilador.
Com as correções, a perda foi reduzida para 22 quilos por hectare — resultado que evidencia, na prática, o impacto direto da regulagem adequada na eficiência da colheita.
Outro indicador relevante foi a qualidade do grão, com umidade de 14,2% e índice de impurezas de 1,8%, dentro de parâmetros considerados adequados após os ajustes realizados.
Segundo o instrutor líder do Centro Regional de Treinamento John Deere FAHOR, Denilson Zucatto, o trabalho não se encerra com a colheita.
“A próxima etapa será o cruzamento dos dados de plantio e colheita, permitindo identificar pontos de melhoria e orientar decisões técnicas para a próxima safra”, destaca.
Clima e produtividade: aprendizados da safra
Assim como em grande parte do Estado, a lavoura também refletiu os impactos das condições climáticas. Houve uma redução de aproximadamente 40% na produtividade, principalmente em função de fatores ocorridos durante o período de floração e formação dos grãos.
Mesmo diante desse cenário, os dados gerados reforçam o papel da lavoura experimental como ferramenta de aprendizado realista, conectada aos desafios enfrentados no campo.
Conhecimento que retorna ao campo
A colheita envolveu diretamente instrutores e estagiários, fortalecendo o caráter formativo da iniciativa. A produção obtida não tem foco comercial direto: os recursos são reinvestidos na própria estrutura do CT JD FAHOR.
Parte da produção subsidia o plantio das próximas culturas, enquanto o excedente é destinado à aquisição de equipamentos e implementos. Um exemplo disso foi a safra anterior de milho, que possibilitou a compra de itens como guincho, plataforma e distribuidor de fertilizantes.
Ao integrar prática, tecnologia e análise de dados, o Centro Regional de Treinamento John Deere FAHOR reafirma seu papel como um espaço de desenvolvimento técnico e inovação, contribuindo diretamente para a qualificação de profissionais e o fortalecimento do agronegócio regional.