O Amazônia 1 foi lançado ao espaço na madrugada de domingo, 28 de fevereiro. O lançamento ocorreu às 1h54, no Centro de Lançamento Sriharikota, na Índia. O primeiro satélite brasileiro é um projeto de oito anos desenvolvido no Inpe, em São José dos Campos. O Amazônia 1 é o terceiro a formar o sistema Deter e vai auxiliar na observação e no monitoramento do desmatamento na região amazônica.

Confira a análise do professor Geovane Webler, coordenador adjunto do Curso de Engenharia de Controle e Automação e do Núcleo de Ciências Exatas da FAHOR.

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Equipe de pesquisadores do INPE avaliam satélite Amazônia 1

 

“Na madrugada do último domingo, a ciência, tecnologia e sociedade brasileiras conseguiram um grande feito: de uma base de lançamentos na Índia, decolou um foguete com a missão de levar o primeiro satélite totalmente brasileiro, chamado Amazônia 1, até o local de sua órbita, em torno de 750 km acima da superfície terrestre. Após 17 minutos, para a alegria de todos os envolvidos, a missão estava concluída e o satélite já se comunicava com os controladores em solo brasileiro.

Em um primeiro momento, podemos nem perceber a importância deste feito. Porém, ao ouvir as pessoas envolvidas neste projeto, não restam dúvidas do grande passo que este projeto significa para nosso país. Para auxiliar nesse entendimento, respondo a duas perguntas bastante comuns quando falamos sobre o assunto. 

O que é um satélite? De forma bastante simples, um satélite é um dispositivo que fica em órbita (dando voltas) em torno do planeta terra. No caso do Amazônia 1, que possui 640 kg, esse movimento ocorre à 752 km de altura em relação à superfície. 

Por que o Amazônia 1 é tão importante? Essa resposta pode ser dividida em dois tópicos cuja ordem de importância, fica a critério do leitor. O primeiro aspecto que quero destacar é que este satélite foi totalmente projetado e construído no Brasil. Sem dúvidas a engenharia brasileira deve se orgulhar deste feito, fruto do investimento, do esforço e da competência de muitos brasileiros. Imagine você a complexidade da engenharia envolvida para desenvolver e manter o funcionamento de um dispositivo como este. O segundo aspecto a destacar aqui é a aplicabilidade do Amazônia 1. O satélite está equipado com câmeras capazes de enviar imagens de ótima resolução de todo o território brasileiro. Um dos diferenciais deste satélite é a alta taxa de revisita, ou seja, o satélite pode revisitar (tirar novas fotografias) um mesmo local a cada 2 dias. Isso permitirá acompanhar de maneira muito precisa evoluções de desmatamento, áreas agrícolas, crescimento de cidades, reservatórios de água, desastres naturais, etc. Dados como esses, em um país continental como o nosso, são muito valiosos. É importante destacar, também, que estes dados são públicos. Ou seja, eles podem ser utilizados por nossos governantes para orientar tomadas de decisão e, também, por empresas de forma a desenvolver produtos e serviços para melhorar a vida do nosso povo.

Após essa rápida reflexão, fica a certeza de que temos em nosso país profissionais altamente capacitados, capazes de gerar soluções de alta qualidade e tecnologia para as demandas que temos como país. Com investimentos e foco em educação, nossos jovens podem colaborar para que o lançamento do Amazônia 1 tenha sido apenas o primeiro passo nessa caminhada que pode render muitos frutos à toda sociedade brasileira. 

Escrito por
Geovane Webler 

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O foguete indiano PSLV C51 partiu  do Satish Dhawan Space Centre, em Sriharikota, na Índia